Tuesday, October 23, 2018

CONTINUAÇÃO- PERGUNTAS A PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE / CONTINUATION- QUESTIONS TO PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE







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CONTINUAÇÃO- PERGUNTAS A PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE

Continuando o post anterior, seguimos apresentando as respostas de Pai Ernesto de Moçambique ao então dirigente da Tenda Estrela do Mar, presidida pelo Capitão Lauro Benedito do Nascimento:
...

Pergunta: Qual a finalidade exata dos pontos riscados?

Resposta: É uma combinação entre os espíritos que formam as falanges de Umbanda e têm por fim atrair forças fluídicas positivas, repelir as negativas, invocar o auxílio de outras entidades e também expedir ordens. Os pontos só podem e devem ser utilizados pelas entidades que deles possuam perfeito conhecimento; um reduzido número de encarnados conhece alguma coisa a respeito, porém é muito perigosa sua utilização por parte de quem desconhece
seus fundamentos; pode invocar sem querer verdadeiras desgraças para si e para outrem.

O ponto riscado é magia.

Pergunta: Qual o fundamento do ponteiro?

Resposta: Ele é utilizado na firmeza de pontos de abertura e encerramento de um trabalho, como complemento do ponto riscado, no entanto pode ser dispensado, dependendo da entidade atuante.

Pergunta: Por que os guias fumam?

Resposta: A fumaça do charuto e do cachimbo substitui o defumador cujo objetivo real é limpar o ambiente e as pessoas de vibrações negativas.

Não é, como os leigos julgam, um vício ou uma prova de inferioridade do espírito.

Pergunta: E sobre o uso do álcool e bebida?

Resposta: 1º) O álcool é um dos elementos empregados como processo para afugentar certos espíritos que não resistem a seu cheiro, como por exemplo: os obsessores renitentes.

2º) O uso de certas bebidas pelas entidades espirituais que trabalham, em missão no terra a terra, em dias festivos, é somente como confraternização com seus médiuns e nunca por vício. Fora isso, é que os médiuns, abusando do dom consciente, gostam de molhar a garganta.

Pergunta: Podem os espíritos de Umbanda se identificar através do chamado ponto riscado? Como?

Resposta: Podem. Pelo ponto riscado é que as entidades se identificam por completo nos aparelhos de incorporação. Os pontos traduzem e imantam Forças da Magia Celeste; é um privilégio dos Orixás, Guias e Protetores. Eles identificam poderes, responsabilidades de espíritos, tipos de atividade e os vícios iniciáticos das falanges.

Podem ser usados para trabalhos em benefícios do bem aos necessitados; para imantação de guias, colares, patuás, etc., e para a identificação individual dos próprios Orixás, Guias e Protetores. Para sua identificação individual, a entidade de Umbanda traça três sinais básicos: a Flecha, a Chave e a Raiz. Com a Flecha, a entidade diz quem é; com a Chave identifica a sua banda e com a Raiz caracteriza a sua afinidade e muitas das vezes o seu grau na hierarquia. O conjunto dos três elementos é que forma o ponto completo.

Pergunta: Poderia fazer algumas considerações sobre os seguintes símbolos: o triângulo, a cruz e a estrela de cinco pontas?

Resposta: O triângulo é o símbolo do Universo Ternário, significando a elevação pelo intelecto; é a manifestação dos Três Mundos; o astral, o mental e o
físico; possui alto valor simbólico, servindo para todos os altos trabalhos de magia positiva. A estrela de cinco pontas é um poderoso símbolo de proteção.

Suas pontas representam as cinco forças vitais ou os cinco pranas. A cruz é o símbolo que representa a hierarquia crística, é a chave de todos os mistérios, é o
símbolo da redenção.

Pergunta: Existe alguma diferença entre a mediunidade da mesa kardecista e a mediunidade de Umbanda?

Resposta: Sim. A mediunidade no chamado espiritismo de mesa é acentuadamente mental, as comunicações são quase telepáticas, predominantemente inspirativas, isto é, os espíritos atuam mais sobre a mente dos médiuns, pois a atividade do espiritismo se processa mais no plano mental.

O espiritismo de mesa não tem missão de atuar no baixo astral contra os elementos de magia negra, como acontece com a Umbanda. Ele é quase exclusivamente doutrinário, mostrando aos homens o caminho a ser seguido a fim de se elevarem verticalmente a Deus. Sua doutrina funda-se principalmente na reencarnação e na Lei de Causa e Efeito. Abre a porta, mostra o caminho iluminado, e aconselha o homem a percorrê-lo a fim de alcançar sua libertação dos renascimentos dolorosos em mundos de sofrimentos, como é o nosso atualmente, candidatando-se à vivência em mundos melhores. Em virtude disso, a defesa do médium kardecista reside quase exclusivamente na sua conduta moral e elevação de sentimentos, portanto, os espíritos da mesa kardecista, após cumprirem suas tarefas benfeitoras, devem atender outras obrigações inadiáveis.

É da tradição espírita kardecista que os espíritos manifestem-se pelo pensamento, cabendo aos médiuns transmitir as idéias com o seu próprio vocabulário e não as configurações dos espíritos comunicantes. Em face do habitual cerceamento mediúnico junto às mesas kardecistas, os espíritos têm que se limitar ao intercâmbio mais mental e menos fenomênico; isto é, mais idéias e menos personalidades. Qualquer coação ou advertência contrária no exercício da mediunidade reduz-lhe a passividade mediúnica e desperta a condição anímica.

Por esta razão há muito animismo na corrente kardecista.

A faculdade mediúnica do médium ou cavalo de Umbanda é muito diferente da do médium kardecista, considerando-se que um dos principais trabalhos da Umbanda é atuar no baixo astral, submundo das energias degradantes e fonte primária da vida. Os médiuns de Umbanda lidam com toda a sorte de tropeços, ciladas, mistificações, magias e demandas contra espíritos sumamente poderosos e cruéis, que manipulam as forças ocultas negativas com sabedoria.

Em conseqüência o seu desenvolvimento obedece a uma técnica específica diferente da dos médiuns kardecistas. Para se resguardar das vibrações e ataques das chamadas falanges negras, ele tem que valer-se dos elementos da Natureza, como seja: banhos de ervas, perfumes, defumações, oferendas nos diversos reinos da Natureza, fonte original dos Orixás, Guias e Protetores, como meios de defesa e limpeza da aura física e psíquica, para poder estar em condições de desempenhar a sua tarefa, sem embargo da indispensável proteção de seus Guias e Protetores espirituais, em virtude de participarem de trabalhos mediúnicos que ferem profundamente a ação dos espíritos das falanges negras, isto é, do mal, que os perseguem, sempre procurando tirar uma desforra. Por isso a proteção dos filhos de terreiro é constituída por verdadeiras tropas de choque comandadas pelos experimentados Orixás, conhecedores das manhas e astúcias dos magos negros. Sua atuação é permanente e na crosta da Terra e vigiam atentamente os médiuns contra investidas adversas, certos de que ainda é muito precária a defesa guarnecida pela elevação de pensamentos ou de conduta moral superior, ainda bastante rara entre as melhores criaturas. Os Chefes de Legião, Falanges, Sub-falanges, Grupamentos e Protetores também assumem pesados deveres e responsabilidades de segurança e proteção de seus médiuns. É um compromisso de serviço de fidelidade mútua, porém, de maior responsabilidade dos Chefes de Terreiro. Daí as descargas fluídicas que se processam nos terreiros,
após certos trabalhos pesados, com a colaboração das falanges do mar e da cachoeira, defumação dos médiuns e do ambiente e dando de beber a todos água fluidificada.

O espírito que reencarna com o compromisso de mediunidade na Umbanda recebe no espaço, na preparação de sua reencarnação, nos seus plexos nervosos ou chakras, um acréscimo de energia vital eletromagnética necessária para que ele possa suportar a pesada tarefa que irá desempenhar.

Na corrente kardecista, isto não é necessário, em virtude de não ter que enfrentar trabalhos de magia negra, como acontece na Umbanda; e mesmo permitir aos guias atuarem-lhe mais fortemente nas regiões dos plexos, assumindo o domínio do corpo físico e plastificando suas principais características. Então vemos caboclos e pretos-velhos revelarem-se nos terreiros com linguagem deturpada para melhor compreensão da massa humilde, assim como as crianças, encarnando suas maneiras infantis para melhor aceitação na mesma.

SARAVÁ!


CONTINUATION- QUESTIONS TO PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE

Continuing the previous post, we continue to present the responses of Pai Ernesto de Moçambique to the leader of the Tenda Estrela do Mar, presided by Captain Lauro Benedito do Nascimento:

...

Question: What is the exact purpose of the pontos riscados (sacred signs)?

Answer: It is a combination of the spirits that form the phalanges of Umbanda and are aimed at attracting positive fluidic forces, repelling the negative ones, invoking the help of other entities and also issuing orders. Points can only and must be used by entities that have perfect knowledge of them; a small number of incarnates know something about it, but it is very dangerous its use by those who do not know its fundamentals; can invoke without wanting true misfortunes for himself and for others.

The sacred signs (points/pontos) is magic.

Question: What is the dagger's fundament?

Answer: It is used in the firmness of opening and closing points (sacred signs) of a work, as a complement to the sacred signs (points/pontos riscados), however it can be dispensed with, depending on the acting entity.

Question: Why do the guides (spiritual mentors) smoke?

Answer: Cigar and pipe smoke replaces the smoker whose actual purpose is to clean the environment and people from negative vibrations.

It is not, as the laity judge, an addiction or a proof of inferiority of spirit.

Question: What about the use of alcohol and drink?

Answer: 1) Alcohol is one of the elements used as a process to drive away certain spirits that do not resist their smell, such as: reticent obsessors.

2) The use of certain drinks by the working spiritual entities, on earth-to-earth mission on festive days, is only as a fellowship with their mediums and never by vice. Other than that, mediums, abusing the conscious gift, like to wet their throats.

Question: Can the spirits of Umbanda identify themselves through the so-called crossed points (sacred signs)? And how?

Answer: They can. By the sacred signs is that the entities are completely identified in the apparatuses of incorporation (mediums). The sacred signs translate and unify Forces of Celestial Magic; is a privilege of Orixás, Guides and Protectors. They identify powers, responsibilities of spirits, types of activity, and initiatory vices of phalanges.

They can be used to work on benefits of good to those in need; for magnetization of ritual necklaces, patuás (talismans), etc., and for the individual identification of Orixás, Guides and Protectors themselves. For its individual identification, the entity of Umbanda traces three basic signs: the Arrow, the Key and the Root. With the Arrow, the entity says who it is; with the Key identifies his band and with the Root characterizes his affinity and often his degree in the hierarchy. The set of three elements is what forms the complete point.

Question: Could you make some considerations about the following symbols: the triangle, the cross, and the five-pointed star?

Answer: The triangle is the symbol of the Ternary Universe, signifying elevation by the intellect; is the manifestation of the Three Worlds; the astral, the mental and the
physicist; has high symbolic value, serving for all high works of positive magic. The five-pointed star is a powerful symbol of protection.

Its tips represent the five vital forces or the five pranas. The cross is the symbol that represents the Christ hierarchy, is the key to all mysteries, is the
symbol of redemption.

Question: Is there any difference between the mediumship of the Kardecist table and the mediumship of Umbanda?

Answer: Yes. The mediumship in so-called table-spiritism is markedly mental, communications are almost telepathic, predominantly inspirational, that is, spirits act more on the minds of mediums, for the activity of spiritism takes place more on the mental plane.

The spiritism of table has no mission to act in the low astral against the elements of black magic, as it happens with the Umbanda. It is almost exclusively doctrinal, showing men the way to be followed in order to rise vertically to God. Its doctrine is based mainly on reincarnation and the Law of Cause and Effect. He opens the door, shows the way enlightened, and counsels the man to walk through it in order to reach his liberation from painful rebirths in worlds of suffering, as ours is today, by applying to experience better worlds. By virtue of this, the defense of the Kardecist medium resides almost exclusively in his moral conduct and elevation of feelings, therefore, the spirits of the Kardecist table, after accomplishing their beneficial tasks, must meet other obligations that can not be waived.

It is from the Kardecist spiritist tradition that the spirits express themselves through thought, and it is up to the mediums to transmit the ideas with their own vocabulary and not the configurations of the communicating spirits. In face of the habitual mediumistic closure next to the Kardecist tables, the spirits have to be limited to the more mental and less phenomenal exchange; that is, more ideas and fewer personalities. Any coercion or contrary warning in the exercise of mediumship reduces his mediumistic passivity and awakens the personal condition of the medium.

For this reason there is much animism in the Kardecist group.

The psychic mediumship of the medium or so-called horse of Umbanda is very different from that of the medium Kardecist, considering that one of the main works of Umbanda is to act in the low astral, underworld of the degrading energies and primary source of life. The Umbanda mediums deal with all sorts of stumbling, lying, mystification, spells, and demands against extremely powerful and cruel spirits, who manipulate the negative occult forces with wisdom.

As a result, its development follows a specific technique different from that of Kardecist mediums. To guard against the vibrations and attacks of the so-called black phalanxes, he has to take advantage of the elements of Nature, such as: baths of herbs, perfumes, smokes, offerings in the various kingdoms of Nature, original source of Orixas, Guides and Protectors, as means of defense and cleansing of the physical and psychic aura, in order to be able to perform its task, nevertheless of the indispensable protection of its Spiritual Guides and Protectors, by virtue of participating in mediumistic works that deeply wound the action of the spirits of the black phalanxes, that is, of evil, that persecute them, always seeking to take a rematch. That is why the protection of the members of a terreiro is constituted by true troops of shock commanded by the experienced Orixás, connoisseurs of the tricks and astuteness of the black magicians. Their work is permanent and in the crust of the earth they watch closely the mediums against adverse attacks, certain that defense is still very precarious by the elevation of thoughts or superior moral conduct, still quite rare among the best creatures. The Legion Chiefs, Phalanges, Sub-phalanges, Groupings and Protectors also assume heavy duties and responsibilities of security and protection of their mediums. It is a commitment of service of mutual fidelity, but of greater responsibility of the Chiefs of Terreiro. Hence the fluidic discharges that take place in the terreiros, after certain heavy work, with the collaboration of the phalanxes of the sea and the waterfall, the smoking of the mediums and the environment and giving all the fluidized water to drink.

The spirit that reincarnates with the commitment of mediumship in the Umbanda receives in space, in the preparation of its reincarnation, in its nerve plexuses or chakras, an increase of electromagnetic vital energy necessary so that it can withstand the heavy task that will perform.

In the kardecist current, this is not necessary, because they not have to face with works of black magic, as it happens in Umbanda; and even allow guides (spiritual mentors) to act more strongly in the regions of the plexus, assuming mastery of the physical body and plasticizing its main characteristics. Then we see caboclos and pretos-velhos revealing themselves in the terreiros with language misrepresented for better understanding of the humble mass, as well as the children, embodying their infantile ways for better acceptance in the same one.

SARAVÁ!



Thursday, October 4, 2018

PERGUNTAS A PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE / QUESTIONS TO PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE



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PERGUNTAS A PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE

Segundo Matta e Silva em seu livro "Lições de Umbanda e Quimbanda nas Palavras de um Preto-Velho", Pai Ernesto de Moçambique era um dos mentores da Tenda Estrela do Mar, presidida pelo Capitão Lauro Benedito do Nascimento (falecido em 1983).

Matta e Silva informa que quando o Capitão Lauro tomou conhecimento do conteúdo do Livro "Lições de Umbanda e Quimbanda nas Palavras de um Preto-Velho" viu tremenda similitude de informações entre as perguntas e respostas dadas  a ele (Capitão Lauro) por Pai Ernesto com aquelas respostas dada por Pai Guiné no livro (acima citado).

Isso quer dizer que o astral não tem duas palavras, que quando temos médiuns de fato e de direito, as palavras, o modo de colocá-las e pequenas diferenças sutis de interpretação até podem haver (até mesmo talvez, por interferência da "psiqué" dos médiuns) mas na essência, a palavra, o recado, o teor do que tem que ser dito, é um só, pois como dissemos acima, o astral tem uma palavra só.

Seguimos com as perguntas e respostas de Capitão Lauro a Pai Ernesto, prestemos atenção ao seu conteúdo altamente esclarecedor (para não ficar muito grande o texto, dividiremos em três partes, sendo que hoje segue a primeira).


PERGUNTAS FEITAS AO PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE E AS SUAS RESPOSTAS

Pergunta: Dos trabalhos maléficos que estejam interessados aos Exus não podem, sem prejuízo do bom resultado em favor do doente, serem abolidos os despachos nas encruzilhadas, cemitérios, etc.?

Resposta: Podem. Porém, quando a entidade benfeitora manda a vítima ir à encruzilhada,cemitério, etc., levar o chamado despacho, é que reconhece também ser ela devedora de alguma coisa do presente ou do passado, merecendo por isso o castigo de ir humilhar-se a uma entidade inferior.

Pergunta: A magia negra não pode ser desfeita pelos guias no Astral, dispensando-se, assim, de serem trazidos ao terreiro as entidades inferiores responsáveis pela mesma?

Resposta: Pode, embora a vítima recebe benefícios, os malfeitores não sendo trazidos ao terreiro para serem encaminhados à escola no espaço, continuarão na prática das mesmas maldades, visto ficarem fora do alcance dos bons espíritos pela diferença de plano.

Pergunta: As guias que os médiuns usam possuem realmente algum valor?

Resposta: As guias, quando seu uso é determinado pelas entidades de luz, são saturadas dos fluidos dessas entidades e a variação de cores corresponde às diferentes vibrações.

Pergunta: Considerando que o anjo de guarda é um espírito de luz, acender velas para ele tem algum valor?

Resposta: Tem. Quando acendemos uma vela a Jesus ou a um santo qualquer fixamos neles o nosso pensamento, estabelecendo assim uma corrente de ligação cujo elo é a vela.

Pergunta: Não é absurdo dizer-se que o anjo de guarda ou protetor pode ser preso?

Resposta: É absurdo tal coisa.

Pergunta: As obrigações que se fazem nas cachoeiras, matas, mares, etc., têm algum valor?

Resposta: No período da escravatura, pelo rigor imposto pelos senhores que eram católicos, os escravos não podendo praticar livremente seus cultos, se refugiavam nesses lugares com esta finalidade, tornando-se assim para eles sítios sagrados e que no Astral Superior foi e ainda lhes é reconhecido como mercê. Por isso, determinam seus filhos a ali comparecerem a fim de receberem
reajustamento de vibrações.

Pergunta: Na mesa kardecista, pode ser desfeito um trabalho de magia negra?

Resposta: Pode. Porém, é muito demorado o processo.

Pergunta: Pode o Exu ser doutrinado?

Resposta: Para melhor compreensão, o nome Exu dado a certos espíritos é coisa da Terra. Esse espírito é um agente mágico executor da Lei de Causa e Efeito no planeta Terra; é como um missionário da justiça e que deve obediência aos espíritos de mais luz, são como empregados.

Ao contrário, os espíritos que vivem nas encruzilhadas são espíritos endurecidos, ignorantes; espíritos ambiciosos e gananciosos muito materializados que têm por hábito dar o nome de Exu, visto serem a eles subordinados e, em troca de presentes materiais, atacam as pessoas indefesas, assim como lhes concedem favores da mais baixa espécie possível.

Esses espíritos quando atraídos para desfazerem o mal, requerem muitas vezes que se lhes tratem com energia para poderem obedecer; podem, não obstante, ser doutrinados.
Continua...

SARAVÁ!


QUESTIONS TO PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE

According to Matta e Silva in his book "Lessons of Umbanda and Quimbanda in the Words of a Preto-Velho", Pai Ernesto de Moçambique was one of the mentors of the Umbanda temple Tenda Estrela do Mar, managed by Captain Lauro Benedito do Nascimento (deceased in 1983).

Matta e Silva informs that when Captain Lauro learned about the contents of the book "Lessons of Umbanda and Quimbanda in the Words of a Preto-Velho", he observed tremendous similarity of information between the questions and answers given to him (Captain Lauro) by Pai Ernesto with those answers given by Pai Guiné in the book (cited above).

This means that the astral does not have two words, when we have mediums in fact (trully mediums), the words, the way of putting them and small subtle differences of interpretation may even exist (perhaps even by interference of the "psyche" of the mediums) but in the essence of the word, the message, the content of what has to be said, is just one, as we said above, the astral does not have two words.

QUESTIONS MADE TO PAI ERNESTO DE MOÇAMBIQUE AND THEIR ANSWERS
Question: Of the evil works that are interested to the Exus can not, without prejudice of the good result in favor of the patient, be abolished the "despachos" inthe crossroads, cemeteries, etc.?

Answer: They can. However, when the benefiting entity orders the victim to go to the crossroads, graveyard, etc., to take the so-called "despacho", it is also acknowledges that victim is already a debtor too a something of the present or of the past, deserving therefore the punishment of going to humiliate herself to a lower entity.

Question: The black magic can not be cutted up by the "guias" in the Astral, dismissing the inferiors entities responsible for it to being brought to the terreiro?

Answer: While the victim may receive benefits, evildoers not being brought to the terreiro to be sent to the school in space will continue to practice the same evil deeds, as they are out of the reach of good spirits because of the difference in plan.

Question: Do the ritual collars that mediums use really have any value?

Answer: The ritual collars, when their use is determined by the entities of light, are saturated of the fluids of these entities and the variation of colors corresponds to the different vibrations.

Question: Considering that the guardian angel is a spirit of light, lighting candles to him has any value?

Answer: It has. When we light a candle to Jesus or to any saint, we fix our thoughts on them, thus establishing a chain of connection whose link is the candle.

Question: Is it not absurd to say that the guardian or guardian angel can be arrested?

Answer: Such a thing is absurd.

Question: Do the obligations that are made in waterfalls, forests, seas, etc., have any value?

Answer: In the period of slavery, by the rigor imposed by the masters who were Catholics, slaves could not freely practice their services, they took refuge in these places for this purpose, thus becoming for them sacred sites and that in the Superior Astral was and still is recognized as mercy. Therefore, they order their spiritual sons to come there to receive readjustment of vibrations.

Question: At the Kardecist table, can a black magic work be cutted up?

Answer: It can. However, the process is very time slow.

Question: Can Exu be indoctrinated?

Answer: For better understanding, the name Exu given to certain spirits is thing of the Earth. This spirit is a magical executor of the Law of Cause and Effect on planet Earth; is like a missionary of justice and who owes obedience to spirits of more light, are as servants.

On the contrary, the spirits who live at the crossroads are hardened, ignorant spirits; very ambitious and greedy spirits who have the habit of giving the name of Exu, since they are subordinate to them and, in return for material gifts, attack the defenseless people as well as grant them favors of the lowest possible species.

These spirits, when drawn to cut the evil, often require that they be treated with energy to obey; can nevertheless be indoctrinated.

Will be continued...

SARAVÁ!

Wednesday, September 5, 2018

TRIBUNAIS KÁRMICOS / KARMIC COURTS

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TRIBUNAIS KÁRMICOS

Como muitos sabem, o livro LIÇÕES DE UMBANDA E KIMBANDA NAS PALAVRAS DE UM PRETO-VELHO retrata uma conversa entre um filho-de-santo e o espírito de uma entidade que se apresenta como Preto-Velho, Pai G... (que obviamente é Pai Guiné) incorporado em seu médium Mestre Matta e Silva.

Na parte do texto que retiramos do livro acima mencionado, Pai Guiné fala dos Tribunais Kármicos elucidando essa questão. Vejamos:

Preto-velho: - Sim, como bem você disse. Há leis para regular essas ligações e, portanto, existem os Tribunais do Astral, para isso.

Então, para que compreenda a questão levantada, direi que 3 são a ordem desses Tribunais: - Primeiro, vem o Tribunal Supremo ou Planetário, sob a supervisão Crística – de Jesus, através de Entidades Superiores, diretamente comungando na sua Faixa – que se encarregam do Carma Coletivo de toda a Humanidade do planeta Terra. Depois, vêm os Tribunais Superiores, regidos pelas Entidades Maiores e encarregadas de controlar o Carma Grupal, isto é, de cada coletividade religiosa, espiritual, etc. Assim, exerce o controle sobre cada um dos Rebanhos do Pai, dentro de suas faixas afins, como encarnados e desencarnados.

A seguir, vêm os Tribunais Inferiores. Esses são os de contatos e ações diretas, individuais, isto é, sobre o Carma de cada ser, encarnado e desencarnado, pertencente a cada um desses Rebanhos ou dessas faixas afins, espirituais, religiosas, etc.

Enfim, os Tribunais Inferiores, regidos diretamente por Espíritos Elevados, exercem o controle ou julgamento direto, sobre cada ser, em relação com a coletividade religiosa, etc., a que ele pertence.

Esses Tribunais Inferiores, nos casos especiais, submetem-no ao critério dos Tribunais Superiores, próprios do Carma Grupal ou de sua Coletividade afim.


No próximo texto, transcreveremos como Pai Guiné explica a posição de cada ser humano quando se submete por afinidade ao julgamento de cada tribunal.

Então, até lá!

Saravá!



KARMIC COURTS

As many are aware, the book LIÇÕES DE UMBANDA E QUIMBANDA NAS PALAVRAS DE UM PRETO-VELHO depicts a conversation between a “filho-de-santo” and the spirit of an entity which shows himself as a “preto-velho”, Pai G... (who obviously is Pai Guiné) incorporated into his medium Master Matta e Silva.

In the part of the text that we take from the above-mentioned book, Pai Guiné speaks aboutthe Karmic Courts elucidating this question. Let's see:

Preto-Velho: - Yes, as you said. There are laws to regulate these connections, and therefore there are the Astral Courts, for that.

Then, in order to understand the question raised, I will say that there are 3 orders of these Courts: - First, there comes the Supreme or Planetary Court, under the Christic supervision of Jesus, through Superior Entities, directly linked in their band - who are in charge of the Collective Karma of all Humanity on planet Earth. Then come the Higher Courts, governed by the Greater Entities and charged to controlling the group Karma of every religious, spiritual, and other collectivity. Thus he exercises control over each of the Father's Flocks, within their related bands, as incarnated and disembodied
people.

Next, come the Lower Courts. These are those of direct, individual contacts and actions, that is, about the Karma of each being, incarnate and disembodied, belonging to each one of these herds or of those related bands, spiritual, religious, etc.
 

Finally, the Lower Courts, ruled directly by High Spirits, exercise direct control or judgment over each being in relation to the religious collectivity, etc., to which it belongs.
 
These Lower Courts, in the special cases, submit it to the discretion of the Superior Courts, proper to the Group Carma or its Related Community.

 
In the next text, we will transcribe as Pai Guiné explains the position of each human being when submitted by affinity to the judgment of each court.

See you!

Saravá!






Tuesday, August 14, 2018

MIGRAÇÕES ESPIRITUAIS / SPIRITUAL MIGRATIONS






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MIGRAÇÕES ESPIRITUAIS

Na última sessão espiritual que participamos, ouvimos de um Caboclo da vibração de Ogum incorporado em seu médium palavras sobre migração espiritual, ou seja, o fato de uma alma, por exemplo, encarnada na África, “migrar” e ir reencarnar na Alemanha.

André Luiz, espírito que ditou vários livros ao célebre médium Chico Xavier explicita (num dos seus livros- que agora não recordamos o nome-) que o advento da 2a. Guerra Mundial fez com que inúmeras almas dos mortos na guerra “migrassem” para o Brasil aqui continuando a sua evolução espiritual.

Já tivemos conhecimento de “Tulkus” tibetanos que reencararam nas Américas (havendo até um documentário que trata disso), ou seja, num claro processo de migração espiritual do Tibet para as Américas.

Há médiuns de Umbanda da nossa relação de amizade que são assistidos por espíritos que se apresentam como Caboclos mas que se apresentam à vidência na “roupagem fluídica” de índios norte-americanos e não de índios brasileiros.

O que queremos dizer é: o fenômeno da migração espiritual não é coisa nova e nem é algo fantástico, é algo que pode acontecer na dependência de uma série de fatores (necessidade, karma, merecimento e até vontade).

Então, por força dessas migrações espirituais, certamente temos muitas e muitas almas hoje encarnadas que já passaram pelas raças negra, branca, amarela e vermelha e levam consigo os ensinamentos adquiridos nessas vidas, nessas reencarnações pelo mundo afora.

Deste modo, temos certeza em afirmar que pelo planeta estão espalhados os filhos da religião ancestral, da religio-vera, da Umbanda em seu caráter mais profundo e místico (não essa Umbanda que conhecemos como movimento aqui “por baixo”, no mundo das formas, mas a Umbanda em seu caráter ancestral).

Essas pessoas, pela suas experiências em raças, etnias, comunidades no mundo todo certamente beberam nas fontes dos conhecimentos antigos e hoje estão espalhadas, dispersas pelo globo terrestre, mas cremos que não por muito tempo, pois temos para nós que Deus-Pai, em sua infinita bondade, reunirá novamente (um dia) esse seu rebanho.

É nesse sentido que dizemos (em sentido figurado) que os clarins de Ogum estão tocando, chamando os filhos de Umbanda espalhados pelo mundo a se irmanarem. E assim faremos!

Irmãos de Umbanda (mesmo aqueles que ainda não saibam que são da Umbanda), irmãos espalhados pela Terra do Cruzeiro (o Brasil, o mesmo Baratzil ancestral), irmãos espalhados, dispersos pelo mundo afora, por favor, peço que creiam, mais dia ou menos dia, nos reencontraremos todos debaixo da Luz dessa Umbanda Ancestral para louvar juntos o nome Daquele que foi, que é e sempre será!

Ainda que nossas almas “migrem”, ora aqui, ora acolá, na essência, somos os mesmos filhos da ancestral Aumbhandam, da religio-vera. O mundo é um só e é nossa pátria. Dia chegará que, apesar da distância física entre países, seremos um povo só! A Umbanda nos unirá de novo, debaixo da bandeira de Oxalá, o Cristo Jesus.

Saravá! 



SPIRITUAL MIGRATIONS

In the last spiritual session we´ve been participated, we heard from a Caboclo from the vibration of Orisha Ogum (through his medium) words about spiritual migration, i.e. the fact that a soul, for example, incarnated in Africa, "migrate" and go reincarnate in Germany.

André Luiz, a spirit who dictated several books to the famous medium Chico Xavier explained (in one of his books, which we do not remember the name of), that the advent of the 2nd. World War has made countless souls of those killed in the war to "migrate" to Brazil to continuing here their spiritual evolution.

We have already heard about Tibetan "Tulkus" that reincarnated in the Americas (there´s even a documentary dealing with it), that is a clear process of spiritual migration from Tibet to the Americas.

There are mediums of Umbanda from our personal relationship who are assisted by spirits who present themselves as Caboclos but who present themselves to the clairvoyance in the "fluidic garb" of American Indians, not of Brazilian Indians.

What we want to say is: the phenomenon of spiritual migration is not a new thing nor a fantastic thing, it can happen in dependence on a series of factors (need, karma, merit and even will).

So, by virtue of these spiritual migrations, we certainly have many and many souls today incarnate who have passed through the black, white, yellow and red races and carry with them the teachings acquired in these lives, in these reincarnations throughout the world.

In this way, we are sure to affirm that the sons of the ancestral religion, the religio-vera, the Umbanda in their deepest and most mystical character (not this Umbanda we know as a movement here "down" in the world of forms, but the Umbanda in its ancestral character) are spread throughout this world.

These people, through their experiences in races, ethnicities, communities all over the world in several reincarnations, have surely drank in the sources of ancient knowledge and today are spread, dispersed throughout the globe, but we believe not for long time, cause we believe,   God-Father, in his infinite goodness, will reunite (one day) this his flock.

It is in this sense that we say (figuratively) that the bugles of Ogum are playing, calling the sons of Umbanda spread around the world to reunite as brothers. And so we will!

Brothers of Umbanda (even those who do not yet know that they are from Umbanda), brothers spread throughout the Land of Cruzeiro (Brazil, the same ancestral Baratzil), brothers spread around the world, please, I ask you to believe, more day or less, we will all meet again under the Light of this Ancestral Umbanda to praise together the name of the One who was, who is and will always be!

Although our souls "migrate", here or there, in essence, we are the same sons of the ancestor Aumbhandam, of the religio-vera. The world is one and it is our homeland. Day will come that, despite the physical distance between countries, we will be a one single people! The Umbanda will unite us again, under the flag of Oxalá, the Christ Jesus.

Saravá!


Sunday, July 29, 2018

DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO – DIA 1 # MEDIUMSHIP DEVELOPMENT - DAY 1







Trazemos hoje um texto diferente, onde uma irmã que inicia sua caminhada mediúnica na Umbanda traz o fantástico relato da sua primeira experiência numa sessão de desenvolvimento mediúnico. Vejamos:

DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO – DIA 1

Acreditando que a diversidade da Umbanda não me descaracteriza, mas me enriquece e colore, acreditei na experiência do transe como confronto da finitude da carne com a clareira existencial. 
 
Os elementos primordiais me foram ofertados: base teórica (em constante e infinita construção) e confiança em três outros aspectos cruciais: Casa, Mãe e Entidades. Todas as minhas crenças sempre foram pautadas na minha fé.

Nunca fui de arrepios, visões ou qualquer experimentação física. Minha credulidade se baseia no que sinto internamente. E eu sinto muito, intensamente. O ambiente da Umbanda remonta a uma época que racionalmente não me recordo – mas o que o coração ama, fica eterno.

Vivenciado o primeiro encontro – que é aquele promovido todos os dias comigo mesmo, mergulhada nas reflexões incessantes e na sede por verdadeira reforma íntima, me reconheci dentro das minhas limitações e, mais uma vez por intuição, segui no caminhar para o segundo encontro a qual chamo de “clareira existencial”.

Crer na própria mediunidade é desafiar a racionalidade humana, é um exercício de desapego material, uma expansão de consciência. É, como já disse, descortinar a finitude da carne e espiar um macrocosmo inalcançável pela racionalidade. A vivência da mediunidade me parece consubstanciada na fé, na confiança transcendental da vastidão da Vida (que é muito mais do que esses frívolos anos que contamos em aniversários).

Na véspera da minha primeira experiência nessa “clareira existencial”, submergi em reflexões sobre minhas deficiências – e, desde que comecei a navegar nesse infinito mar umbandista, não há um só dia que eu não pondere meus atos, erros e desacertos. Refletindo na liberdade proporcionada pela Umbanda: o conforto de ser aceito como se é, o confronto das próprias mazelas, na tranquilidade de melhoras gradativas e definitivas, sem urgências.

Confiei na caminhada e sobrevivi às ansiedades e apreensões inocentes de quem já intuiu as benesses do trajeto, mas insiste em cair nas armadilhas do senso racional.

O trabalho começa com a dualidade de pensamentos num único juízo. A racionalidade, descrente, quer debochar da minha escolha. A fé, resistente, labora em minha concentração. Meu cardíaco se descompassa. O fluxo sanguíneo é tão intenso que posso sentir o corpo inteiro em alta temperatura. A ritualística vai amenizando meu descontrole interno. As saudações vão fortalecendo minha convicção de fé em detrimento da racionalidade teimosa. Bater-cabeça é sempre a chamada de todas as minhas forças de credulidade, é uma verdadeira convocação dos meus dogmas ancestrais. Saudar as Entidades é sempre um mecanismo também para aliviar o coração que parece explodir de tanta gratidão (demonstrar amor a quem o porta numa intensidade incalculável, é de uma dificuldade extrema).

Amoito minha racionalidade, permito minha fé conduzir meus sentidos físicos. É como se o subconsciente tomasse o protagonismo.

Minha concentração me sabota, mas minha insistente fé se faz rainha e, dentro de um contexto de confiança absurda, sinto a sutileza da presença do meu Guia. Aquela Consciência Sábia entende minhas limitações e, graciosamente, adentra meu campo vibratório sem me atracar. De certo, conhecedora dos meus medos, respeita maravilhosamente meus limites e me auxilia a silenciar meus pensamentos.

Oscilo, mas pacientemente aquela Consciência aguarda meu tempo. Minhas mãos se movimentam involuntariamente, mas sempre numa leveza especial. Oscilo e pareço perder o equilíbrio nas pernas, mas aquela Consciência de Luz acarinha minha fé e me recordo que minhas firmezas estão exatamente aí: na fé.

Tudo faz sentido numa fração de segundos: quando perco meu equilíbrio (num sentido macro, e não só o das pernas) é porque me falta fé. Eu sinto coragem, bravura, confiança... um turbilhão de sentimentos que não são meus, mas são meus. Eu quero erguer a cabeça, estufar o peito, espichar a coluna. Mas eu não sei lidar com aquele contexto. Aos poucos aquela vibração se despede do meu campo áurico. Numa paciência, serenidade, tranquilidade. A racionalidade retoma tendo toda a descrença sendo aquebrantada por aquela magia. Um sentir sem saber dizer.

Recomeçamos. Foi ainda mais sútil. Agora a coluna quer vergar. Sinto a fragilidade da carne através dos anos, mas a ascensão da sabedoria na mesma velocidade. O encontro é mais rápido, porém encantador. Não pude desbravar todos os aspectos do momento, talvez seja justamente por conta da minha pequenez diante daquela Vibração. Desfrutei sim, mais uma vez, de uma paciência desconcertante. Minhas energias foram manipuladas dentro do que eu pude permitir, num respeito empático carinhoso. Ensinamentos ali sobre calma e persistência – pilares do novo ritmo que busco. Valores embutidos tão profundamente que tontearam minha frágil composição terrena. Na mesma sutileza que veio, se foi. Restando a saudade do que (ao menos racionalmente) ainda nem se conhece direito.

O despertar dessa primeira experiência de “Clareira Existencial”, borbulhou emoções que se materializaram num pranto jubiloso de quem já não sabe mais como expressar toda a gratidão que sente. No confronto entre razão e fé, parece evidente o que preponderou? É a fé raciocinada vinda da libertadora Umbanda.

Ariadne Cristine Oliveira da Silva

SARAVÁ!



Today we bring a different text, where a sister who begins her mediumship walk at Umbanda brings the fantastic story of her first experience in a mediumistic development session. Let's see:

MEDIUMSHIP  DEVELOPMENT - DAY 1

Believing that the diversity of the Umbanda does not deprive me, but enriches me and colors, I believed in the experience of the trance as a confrontation of the finitude of the flesh with the existential clearing.

The primordial elements were offered me: theoretical base (in constant and infinite construction) and trust in three other crucial aspects: Home, Mother and Entities. All my beliefs have always been based on my faith.

I've never been through shivers, visions or any physical experimentation. My credulity is based on what I feel internally. And I'm feel in a very intense way. The ambience of Umbanda dates back to an era that I can not rationally remember - but what the heart loves, remains eternal.

Having experienced the first encounter, which is the one promoted every day with myself, immersed in the incessant reflections and thirst for true inner reformation, I recognized myself within my limitations and, once again by intuition, I continued on the path to the second encounter which I call it an existential clearing”.

To believe in one's mediumship is to challenge human rationality, it is an exercise in material detachment, an expansion of consciousness. It is, as I have already said, to reveal the finitude of the flesh and to spy on a macrocosm unattainable by rationality. The experience of mediumship seems to me embodied in faith, in the transcendental confidence of the vastness of Life (which is much more than the frivolous years we tell on anniversaries).

On the eve of my first experience in this "existential clearing," I submerged in reflections on my shortcomings - and since I began to navigate this infinite umbandist sea, there is not a single day that I do not ponder my acts and mistakes. Reflecting on the freedom provided by Umbanda: the comfort of being accepted as it is, the confrontation of one's own problems, in the tranquility of gradual and definitive improvements, without urgency.

I trusted in my walking and I survived the anxieties and innocent apprehensions of those who have already sensed the blessings of the path, but insists on falling into the trap of rational sense.

Work begins with the duality of thoughts in a single judgment. Rationality, unbeliever, wants to mock my choice. Faith, resistant, labors in my concentration. My heart goes out. The blood flow is so intense that I can feel the whole body at high temperature. The ritualistic is softening my internal lack of control. The greetings strengthen my conviction of faith to the detriment of stubborn rationality. Salutation is always the call of all my forces of credulity, it is a true summoning of my ancestral dogmas. To greet the Entities is always a mechanism also to relieve the heart that seems to explode of so much gratitude (to demonstrate love to those who carry it in an incalculable intensity, is of an extreme difficulty).

I gather my rationality, let my faith lead my physical senses. It is as if the subconscious takes the lead.

My concentration sabotages me, but my insistent faith becomes queen, and within a context of absurd trust, I feel the subtlety of the presence of my Guide. That Wise Consciousness understands my limitations and, graciously, enters my vibratory field. Of course, knowing my fears, he respects my limits beautifully and helps me to silence my thoughts.

I swing, but patiently that Consciousness awaits my time. My hands move involuntarily, but always in a special lightness. I swing and seem to lose my balance in my legs, but that Consciousness of Light cherishes my faith and I remember that my firmness is exactly there: in faith.

Everything makes sense in a fraction of a second: when I lose my balance (in a macro sense, and not only that of the legs) it is because I lack faith. I feel courage, bravery, confidence ... a whirlwind of feelings that are not mine, but they are mine. I want to raise my head, to steady my chest, to stretch the spine. But I do not know how to deal with that context. Gradually that vibration leaves my auric field. In patience, serenity, tranquility. Rationality resumes having all the disbelief being fueled by that magic. A feeling without knowing how to say.

We're restart again. It was even more subtle. Now the column wants to buck. I feel the fragility of the flesh through the years, but the ascension of wisdom at the same speed. The meeting is faster but charming. I could not break all aspects of the moment, perhaps because of my smallness in front of that Vibration. Yes, I enjoyed again  a bewildering patience. My energies were manipulated into what I could allow, in affectionate empathic respect. Teachings there about calm and persistence - pillars of the new rhythm that I seek. Values embedded so deeply that they drove my fragile earthly composition. In the same subtlety that came, it was gone. Resting the nostalgia of what (at least rationally) is not even known right.

The awakening of this first experience of "Existential Cleansing," bubbled emotions that materialized in a joyous weeping of those who no longer know how to express all the gratitude they feel. In the confrontation between reason and faith, does it seem obvious what preponderated? It is reasoned faith from the liberating Umbanda.

Ariadne Cristine Oliveira da Silva

SARAVÁ!